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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Olim-piadas Rio 2016



Depois de me sentir angustiada por coisas que a TV manipula, esconde, disfarça e refletir sobre o verdadeiro legado olímpico sobre perspectivas realistas, não seria sincera a minha transmissão positiva do tal  ESPÍRITO OLÍMPICO atual para essas sementes do novo mundo.
 Meu fiel compromisso é respeitar suas inteligências e demonstrar toda confiança que sinto nas suas potencialidades.
Portanto, na escola sendo uma das mediadoras dos processos de aprendizagem, sugeri à coordenação jogos cooperativos e nas diárias rodas de conversas como essa me sinto confortada e feliz por interagir valores simples e essenciais com esses seres de olhares maravilhosos especialistas nas Relações Humanas!
 É Amor que ultrapassa qualquer razão para ser competitivo. Boa tarde, espírito criativo, Giselda Gil 13:45

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"Admirável Mundo Novo"


"As explosões cessaram, as campainhas pararam de soar, o bramido da sirene foi baixando de tom em tom até silenciar. Os corpos rigidamente contraídos distenderam-se, o que antes fora o soluço e o ganido de pequenos candidatos à loucura expandiu-se novamente no berreiro normal do terror comum.

– Ofereçam-lhes de novo as flores e os livros. As enfermeiras obedeceram; mas à aproximação das rosas, à simples vista das imagens alegremente coloridas do gatinho, do galo que faz cocorocó e do carneiro que faz bé, bé, as crianças recuaram horrorizadas; seus berros recrudesceram subitamente.

– Observem – disse o Diretor, triunfante. – Observem.

Os livros e o barulho intenso, – já na mente infantil essas parelhas estavam ligadas de forma comprometedora; e, ao cabo de duzentas repetições da mesma lição, ou de outra parecida, estariam casadas indissoluvelmente. O que o homem uniu, a natureza é incapaz de separar.
– Elas crescerão com o que os psicólogos chamavam um ódio “instintivo” aos livros e às flores. Reflexos inalteravelmente condicionados. Ficarão protegidas contra os livros e a botânica por toda a vida."

(...)

Um dos estudantes levantou a mão. Embora compreendesse perfeitamente que não se podia permitir que pessoas de casta inferior desperdiçassem o tempo da Comunidade com livros e que havia sempre o perigo de lerem coisas que provocassem o indesejável descondicionamento de alguns de seus reflexos... enfim, ele não conseguia entender o referente às flores. Por que se dar ao trabalho de tornar psicologicamente impossível aos Deltas o amor às flores?

(...)

As flores do campo e as paisagens, advertiu, têm um grave defeito: são gratuitas. o amor à natureza não estimula a atividade de nenhuma fábrica . Decidiu-se que era preciso aboli-lo, pelo menos nas classes baixas; abolir o amor à natureza, mas não a tendência a consumir transporte. Pois era essencial, evidentemente, que continuassem a ir ao campo, mesmo tendo-lhe horror. O problema era encontrar uma razão economicamente melhor para o consumo de transporte do que a simples afeição às flores silvestres e às paisagens. Ela fora devidamente descoberta."

*1932 Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley - Capítulo II, Página 24/25.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Oração à Santa Luzia


Não sou de adorar imagens nem me apegar a santos, mas essa sempre me despertou beleza. É por isso que compartilho agora essa oração que fiz, propagando meu pedido por mais luz e clareza:

O nome de Dandara é também Luzia sendo mais uma escolha sem acaso na minha missão

A busca para enxergar além do meu alto grau de miopia reacende a chama da minha intuição

Oh Força divina protetora dos olhos e das crianças envolva meu caminhar no clarão da sensibilidade

Proteja minha alma que de verdade não se cansa para que eu vença de cabeça erguida todas as demandas sem me deixar corromper por toda e qualquer maldade.

O Amor está em todos na luz do olhar puramente infantil. Preservai o dom clarividente genuíno da esperança, tanto no calor como no frio.

Pelo despertar luminoso presente em cada novo dia,
Olhai por nós, Oh querida Santa Luzia!

Giselda Gil, 15:43


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tarja Branca



Lindo! Sensível!
Acolhedor à tudo que penso e sinto:
Brincar é preciso, viver não é preciso!





"Onde está nosso espírito lúdico?
Qual o lugar do brincar nas nossas vidas? 

Os remédios tarja preta parecem ser a cura imediata para ansiedade, insegurança, medo e depressão. Mas o que aconteceria se colocássemos uma dose de tarja branca no nosso dia a dia?

Por meio de reflexões de adultos de gerações, origens e profissões diferentes, TARJA BRANCA, dirigido por Cacau Rhoden e produzido pela Maria Farinha Filmes, explora o conceito de espírito lúdico, tão fundamental à natureza humana, e sobre como o ser humano contemporâneo se relaciona com ele."



"A gente nasceu pra ser gente!"













"Quem brinca é mais feliz"


"Mais humor por favor"


"Quem canta seus males espanta"












"Brincar para não desumanizar"












"Pé no sonho"


"O ser humano pode se transformar em tudo"



"Memórias da Infância"




domingo, 21 de dezembro de 2014

Como Estrelas na Terra - Toda Criança é Especial

Prometo que em 2015 vou pegar firme na sustentabilidade e começarei a armazenar os litros de lágrimas que produzo em todos os filmes lindos que assisto, vou carregar um balde comigo...


"O filme conta a história de uma criança que sofre de dislexia. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro ano e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam na sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas. O pai de Ishaan acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata Ishaan com muita rigor e falta de sensibilidade. Após serem chamados na escola para falar com a diretora, o pai de Ishaan decide levá-lo para um internato, sem que a mãe saiba. Tal atitude só fez regredir Ishaan, a vontade de aprender e de ser criança. Ishaan visivelmente entra em depressão, sentindo  a falta da mãe, do irmão mais velho, da vida... pois a filosofia do internato é a de disciplinar "cavalos selvagens". Inesperadamente, um professor substituto de Artes apercebe-se de que algo de errado se passsava com Ishaan. Realizou então o diagnóstico de dislexia e imediatamente pôs em prática um ambicioso plano para ajudar Ishaan, que tinha perdido a vontade de viver."

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sigam-nos os bons!!!

"Um dia eu ainda vou me redimir por inteiro do pecado do intelectualismo, se deus quiser. Num vou mais ter necessidade de falar nada, de ficar pensando em termos "descontrários" de tudo, pra tentar explicar as pessoas que eu não sou perfeito, mas que o mundo também não é. E que eu não to querendo ser dono da verdade, que eu não to querendo fazer sozinho uma obra que é de todos nós e de mais alguém, que é o tempo, o verdadeiro grande alquimista, aquele que realmente transforma tudo. Um pequenino grão de areia, é o que eu sou. Só que o grão de areia já conseguiu, sendo tão grande ou maior do que eu, ser bem pequenininho e não precisar se mostrar mais. Fica lá, trabalha em silêncio…"


*Gilberto Gil, 1973


Minas Novas, 10 de novembro de 2014
10:50 da manhã


Aos verdadeiros - aqueles que ainda valem a pena manter algum vínculo/relação convido para mais um desabafo-reflexão>

moro num lugar em que se as pessoas souberem que não acredito no mesmo Deus que elas, são capazes de além de não respeitarem minhas crenças, fecharem as portas julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal.

moro num lugar em que se as pessoas souberem que não voto em seus candidatos ou que não tenho os mesmos ideais políticos que os seus, são capazes de fecharem as portas julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal. 

moro num lugar em que se as pessoas souberem que não me submeteria as vantagens  do odioso machismo vigente e que combato corajosamente as suas atrocidades que escraviza as mulheres ditando por exemplo que máquina de lavar é coisa de gente preguiçosa, são capazes de fecharem as portas julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal. 

moro num lugar em que se as pessoas souberem que ainda agora como mãe, me permito a me apaixonar por outras pessoas encantáveis independente de seus gêneros sexuais, que acredito no amor mais puro e verdadeiro em todas as suas formas e defendo até o fim meus direitos humanos de liberdade e expressão, são capazes de fecharem as portas julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal.

moro num lugar em que se as pessoas souberem que cresci na periferia do extremo leste de São Paulo, que morei, frequentei, respeito e sigo grata por todo aprendizado que obtive "da ponte pra lá", são capazes de fecharem as portas julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal. 

moro num lugar em que se as pessoas souberem que me considero negra de alma e luta e me reconheço na resistência e sabedoria histórica desse povo cruelmente oprimido durante o passar do tempo que ainda sofre as marcas da escravidão, são capazes de fecharem as portas  julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal. 

moro num lugar em que se as pessoas souberem que luto para que minha liberdade de escolha e para que meu corpo e minhas regras não pertença à igreja, nem a Deus, nem ao governo, nem ao conservadorismo moral, nem a relações que cultivam a escravidão emocional em sistemas de castigos, imposições, chantagens e recompensas, são capazes de fecharem as portas  julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal.

moro num lugar em que se as pessoas souberem que não transfiro minha autonomia e responsabilidades a nenhuma instituição e divindade, são capazes de fecharem as portas  julgando-me como alguém perverso que pode lhes causar o mal.

moro num lugar e não morro nesse lugar.
minha presença ativa faz diferença e causar mal estar.
"as portas são os únicos meios de transporte que não saem do lugar" e eu transito alegremente no meu direito de ir e vir e pros que insistem a querer me prender a rótulos e esteriótipos ou me enquadrar a fundamentos religiosos e a ditaduras do conservadorismo falido burguês-patriarcal, envio meu lamento pois se se permitissem a serem justos consigo mesmos e respeitassem o lado oposto de suas próprias fraquezas e limitações sentiriam quanta vida por aí está reprimida e quanta coisa boa a vida consciente-mente ativa oferece e estão a dispersar ;)

meu mundo tem várias portas, janelas e infinidades horizontais e se a maioria cristã e/ou televisionada não consegue respeitar, peço que não ultrapasse o limite de suas caixinhas querendo me cutucar.
eu aqui - vocês lá - cada um no seu lugar.


Vida viva e feliz aos irmãos de afinidade que tanto me interessam, tanto amo, me amam e me deixam mais forte e contente com a vida!
Sigam-nos os bons!!!

Giselda Gil / Capivara Humanizada.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

ÁR-VO-RE

celebrando o dia de forma gostosa na roça:
balanço, crianças, areia, natureza e tapioca


-ar, vou ali
-ali aonde?
-flores ser
-e a árvore?
-a raiz eu levo
-e o tronco?
-desapego
-para quê?
-pra continuAR e vi-ver


Dia de aniversário refletindo o legado
 Giselda Gil / Capivara Humanizada

domingo, 2 de novembro de 2014

Aqui e AGORA

Hoje completo 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul...

Presente

Adj.: Que está em ou faz parte de um evento (circunstância ou situação);
Que pode ser visto em determinado local;
Que auxilia ou orienta alguém;
Que ocorre no exato momento em que se fala ou pode acontecer a partir deste; atual. 
Figurado: Que pode ser comprovado ou demonstrado; evidente;
s.m. Aquilo que se oferece a alguém como agradecimento ou retribuição;
Intervalo de tempo localizado entre o passado e o futuro, o momento atual; 
Que faz parte, está presente ou participa de determinado acontecimento ou evento.
Gramática Linguística: Tempo verbal que caracteriza a ação ocorrida exatamente no momento em que se fala (agora); que é comum ao tempo presente.


Dandara: o melhor presente de todos os tempos da última semana

E você aí, quer viver de presente também?
Tenha um filho!
Ame-o e deixe-o ser o que ele é, livre para amar, ir aonde quiser...
Ame-o e deixe-o brincar, ame-o e deixe-o correr, ame-o e deixe-o cansar, ame-o e deixe-o dormir em paz!

Deixemos o tempo fluir com toda sua força e delicadeza. Salve Salve Mãe Natureza!
GRATIDÃO DOM DE VI-VER.

Giselda Gil / Capivara Humanizada

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Introdução Alimentar - SEM TESÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO.

Acredito que Dandara hoje com 1 ano e 8 meses de explorAÇÃO na Terra sob  meus cuidados de mãe-guardiã, continua em sua introdução alimentar complementar ao leite materno - modéstia a parte, seu mais rico e poderoso alimento. 

Agradeço diariamente à diversidade dos nutrientes disponíveis nas mais variadas frutas, verduras, legumes e grãos que podemos consumir diariamente, hoje em dia de forma melhor ainda que compramos a maioria direto do produtor rural que nos garante que não usa agrotóxicos.

Se eu disser que minha mente não me impulsiona a querer que ela se alimente quando os horários demandam e eu preparo o almoço ou o jantar, estarei mentindo. Desde o início, quando ela tinha 6 meses de vida mantida apenas através do meu leite e começou a experimentar e rejeitar os novos sabores, venho enfrentando um dilema dentro de mim mesma para não transformar esse momento de descoberta dela em alguma situação traumatizante. Meu trabalho constante é esse: preparar com amor e oferecer com carinho sem nenhuma (ou quase nenhuma) pretensão. E o que eu faço pra acalmar a mente que se apega no que já aprendeu até aqui nos padrões que vivenciou, mas que sente a ineficácia da repetição e necessidade de desconstruir? Busco informação, sigo a intuição e espero tudo naturalmente fluir...

Método BLW: técnica desenvolvida na Grã-Bretanha onde a criança tem a possibilidade de criar autonomia para se alimentar sozinha - o que minha avó sempre fez na zona rural de Minas Gerais deixando seus fio comer o que quisesse com as mão ;)




































Como repenso todos os dias, acredito que essa tensão da Introdução Alimentar é coisa de mãe e não de filho. A tranquilidade e a fluidez deve acompanhar essa fase de exploração para que as crianças não criem conceitos equivocados nesse momento tão precioso. Nós sabemos o quanto comer com fome e feliz é muito mais gostoso! 



Participo de um riquíssimo grupo de mães ativas que compartilham suas experiências e informações - um prato cheio pra quem gosta de discutir, aprender, refletir e repensar suas práticas na maternidade consciente. Sou muito grata por essa rede de boas ideias, e nesse assunto ganhei esse texto-presente:



NÃO CONSIGO FAZER MEU FILHO COMER - Carlos González

Seu filho sabe do que ele precisa.
Todos os animais do mundo comem o que precisam. Quando uma pessoa passeia pelo campo, ela não encontra animais mortos porque ninguém disse a eles o que comer. Cada um escolhe, além disso, a dieta adequada para a sua espécie; e é tão difícil encontrar um coelho comendo carne quanto um lobo comendo capim. 
Nós, adultos, também comemos o que precisamos sem que ninguém nos diga nada. As pessoas que fazem muito exercício comem mais e as que levam uma vida sedentária comem menos, sem que nenhum especialista tenha que calcular as calorias e dar-lhe a orientação por escrito. Sim, alguns têm certa tendência à obesidade, mas quando se pensa no que poderia acontecer e não acontece, nos damos conta de que nosso sistema de controle da quantidade de comida é muito bom. Se você comesse a cada dia um pouco além da conta, e engordasse vinte gramas diárias, ao final do ano teria ganhado 7,3kg, em dez anos 73kg (mais o que você pesa agora!). Se, ao contrário, perdesse cada dia vinte gramas, em oito ou nove anos teria evaporado completamente, deixando no chão uma pilha de roupas vazias, como os fantasmas dos filmes. E entretanto a maioria das pessoas consegue pesar a mesma coisa, ou um quilo a mais ou um quilo a menos, durante décadas. 
Dá-se a mesma coisa em relação à qualidade da dieta. O mortal comum não sabe nem de quais vitaminas precisa, nem de qual quantidade de cada uma delas, nem que alimentos as contém (sim, você sabe que as laranjas tem vitamina C; mas onde está a vitamina B1, a B12, o ácido fólico?); mas, apesar disso, praticamente ninguém, se não está passando fome por motivos alheios à sua vontade, sofre de escorbuto, de beri-beri, de anemia perniciosa ou de xeroftalmia. 
E como conseguimos isso? Cada pessoa, cada animal, tem mecanismos inatos que o fazem procurar os alimentos de que precisa e comer a quantidade adequada. Mas os que não se convencem com o raciocínio teórico talvez se interessem em saber que, além de ser lógico, isso está comprovado cientificamente. Nas seções seguintes, vamos explicar como as crianças escolhem sua dieta desde que nascem, alterando a composição do leite materno; e como alguns meses depois são capazes de escolher por si mesmas uma dieta adequada.
Papinhas à vontade também.
Já faz mais de sessenta anos que a Dra. Davis demonstrou, numa série de experimentos, que as crianças podem escolher por si mesmas uma dieta equilibrada. Ela oferecia a um grupo de crianças, entres seis e dezoito meses de idade, dez ou doze alimentos diferentes em cada sessão. Eram alimentos puros, sem misturar: cenoura, arroz, frango, ovo... As crianças comiam a quantidade que queriam do alimento que queriam, sem que nenhum adulto tentasse controlar seu consumo. Os maiores comiam sozinhos, os menores eram servidos, sem nenhuma insistência, por um adulto: começava com o primeiro alimento até que a criança fechava a boca, depois o segundo alimento e assim até o final. Durante meses, o crescimento das crianças foi normal e sua ingestão de nutrientes foi, a médio prazo, adequada, embora as variações de uma refeição à outra tenham sido tremendas, o pesadelo dos nutricionistas. As crianças comiam às vezes como um passarinho e às vezes
como um cavalo; e passavam por épocas em que comiam só um ou dois alimentos durante dias, para depois esquecê-los. De uma ou de outra maneira, ao final as crianças davam um jeito de consumir uma dieta equilibrada. Outros estudos mais modernos confirmaram que as crianças pequenas, quando se lhes permite comer o que querem, tanto em condições de laboratório como em sua própria casa, ingerem uma quantidade muito constante de calorias a cada dia, embora as variações de uma refeição à outra sejam enormes.
Mas a criança não vai se empanturrar de chocolate?
Se deixarem, é claro que sim. Ou, pelo menos supomos que sim; parece que não há estudos científicos que demonstrem isso. De todo modo, só se empanturram no primeiro dia e depois se fartam e continuam comendo uma dieta equilibrada. 
As crianças (e os adultos) gostam muito de doces e salgados, e costumamos comer demais de ambos. 


Se dispõem de um mecanismo inato para comer o que precisam, por que as crianças comem tanta besteira? 


Para entender por quê às vezes falha o mecanismo de controle é preciso levar em conta a teoria da evolução. Quando um animal come adequadamente, vive mais e tem mais filhos; a seleção natural, portanto, favorece os animais que tem uma conduta alimentar adequada. Mas a seleção natural demora muitos milênios para atuar, e a conduta que foi adequada em um certo momento pode deixar de ser se as circunstâncias ambientais mudam. 
De que servia para as crianças da caverna de Altamira o gosto por doces e salgados? Não só não havia chocolate, como também não havia sal nem açúcar. As coisas mais doces que tinham era o leite materno, seu principal alimento, e as frutas, carregadas de vitaminas. A coisa mais salgada, provavelmente, era a carne, uma fonte importante de ferro e proteínas. Assim, suas preferências os ajudavam a escolher uma dieta variada e equilibrada. Mas agora temos balas muito mais doces que as frutas e aperitivos muito mais salgados que a carne, e nosso mecanismo de seleção está um pouco desregulado. 
Ainda assim, é surpreendente a força do instinto na hora de escolher uma dieta adequada. Atente à publicidade: quanto menos saudável é um alimento, mais ele precisa ser anunciado. Aperitivos salgados, doces, refrigerantes... Algumas marcas, que já vendem milhões, continuam fazendo propaganda diariamente; elas sabem que, se não anunciassem, as vendas cairiam espetacularmente. Diferentemente disso, a lentilha, a maçã, o arroz e o pão não são anunciados quase nunca, e as pessoas continuam comendo-os. 


Se, por acaso, os especialistas consideram na atualidade que as crianças podem escolher uma dieta saudável, a condição é que lhes sejam dadas coisas saudáveis para escolher. Se você oferece para seu filho fruta, macarrão, frango e ervilhas, e permite que ele escolha o quê e quanto come, é certeza que a longo prazo terá uma dieta adequada... embora talvez passe dois dias só com ervilhas e depois um dia só com frango. Mas se ele tem que escolher entre fruta, macarrão, ervilha e chocolate, então ninguém garante que sua dieta vá ser equilibrada.
Finalmente: a responsabilidade dos pais se limita a oferecer uma quantidade de alimentos saudáveis. A responsabilidade de escolher entre essa variedade e decidir a quantidade que se ingere de cada um não corresponde aos pais, mas sim ao filho.


O que não deve ser feito na hora de comer:


A criatividade das mães na hora de fazer seus filhos comerem não tem limites (os pais costumam participar menos deste assunto, provavelmente mais por indiferença que por reflexão). Começam fazendo aviãozinho com a colher. Depois é hora de distrair (muitas mães usam sem pudor a palavra enganar) a criança com músicas, danças, bonecos ou a inevitável televisão. Em seguida vêm os pedidos (não faz isso com a mamãe!), as promessas (se você comer tudo eu te compro um dinossauro), as ameaças (enquanto você não acabar, não vai brincar), as súplicas (essa é pela mamãe, essa pelo papai, essa pela vovó), as vidas exemplares (olha o Popeye, como come espinafre!). Dizem que uns pais, ao observar que seu filho colocava na boca tudo o que encontrava no chão, tiveram uma ideia genial: todos os dias lavavam bem o chão e depois espalhavam pedacinhos de comida. 


Alguns métodos dão vontade de rir, mas outros dão vontade de chorar, sobretudo na criança.

Vejamos alguns exemplos:

A persistência


Meu filho de cinco meses e meio não quer aceitar a colher. Comecei a tentar aos quatro meses, mas por mais que tentasse (com muita paciência) o menino gritava, cuspia e chorava. Então eu tive que colocar o conteúdo dos potinhos e papinha na mamadeira. Agora faz dias que ele come umas quatro ou seis colheradas sem reclamar, mas depois acabou! Faz uns dias que comecei a colocar a chupeta nele depois de cada colherada, e assim ele acaba tudo.


Muita paciência? Essa é outra confusão.


Paciência seria ter aceitado que seu filho ainda não queria papinhas. Essa mãe não foi muito paciente, e sim muito insistente (se seu filho pudesse falar, provavelmente usaria uma palavra mais forte, chata no mínimo). Ao colocar nele a chupeta depois de cada colherada, o reflexo de sucção engana a criança: em vez de cuspir, ela engole. Passam uns dias e parece que funciona; mas com certeza logo deixará de funcionar. A criança adoeceria se continuasse comendo tudo durante muito tempo, e a natureza raramente permite que isso ocorra.
Ele encontrará outra maneira de cuspir, apesar da chupeta, ou aprenderá a vomitar.


O que fazer se ele já não come - Um experimento que mudará sua vida:


Sua filha não come. Faz meses, talvez anos. Você já tentou de tudo, mas a situação não melhora. Você espera com terror a hora das refeições e na maioria dos dias acabam as duas chorando.
Sua filha não vai mudar. Ao menos não até que o corpo dela peça mais comida, talvez por volta dos cinco anos ou talvez na adolescência. Sua filha de três anos não pode vir amanhã ou segunda-feira e dizer: "Mamãe, estive pensando e decidi que a partir de agora comerei tudo o que você me der sem reclamar. Desse modo você compreenderá que eu te amo muito e espero que nossa relação melhore diante desse gesto de boa vontade." Sua filha não é capaz de pensar algo assim e se o fizesse seria incapaz de manter sua promessa (pois, como já explicamos, ela é fisicamente incapaz de comer mais do que precisa sem adoecer). 
Portanto, a única esperança de mudança vem de você. Você sim pode dizer à sua filha: "Minha filha, estive pensando e decidi que a partir de agora não tentarei te obrigar a comer quando você não tiver fome, nem comidas que te deem nojo." E você pode sim (embora, claro, vá ser difícil pra você) manter a sua palavra. 


Que fique bem claro que não estamos propondo um novo método para que sua filha coma mais. Comerá o mesmo que antes, um pouco mais ou um pouco menos. A questão é que coma contente e feliz e em um tempo razoável, não em duas horas de choros, brigas e vômitos. 
Que fique também claro que não estamos falando de render a sua filha por fome. A idéia não é: "Você é uma menina mal educada, por isso agora vou levar seu prato embora e você vai saber o que é passar fome. Quando você quiser comer, vai me pedir por favor." Isso, além de injusto, seria perigoso; é iniciar com sua filha uma disputa de "vamos ver quem é a mais teimosa" e nisso as crianças costumam ganhar. Em duas ocasiões vi (ou mais exatamente, me contaram anos depois) falhar o método de "não obrigar a criança a comer"; em ambos os casos foi usado como um castigo (embora não tenham sido pronunciadas exatamente essas palavras ou não se pronunciasse palavra nenhuma).
O oposto disso, o que defendemos, é o respeito à liberdade e à independência das crianças. O enfoque correto é: "Não está mais com fome, querida? Muito bem, então escove os dentes e vá brincar." 
Para a maioria das mães, sobretudo as que tem anos de briga por causa de comida, é muito difícil fazer essa mudança, deixar de obrigar seus filhos. Todas as mudanças são difíceis. E o assunto da comida é especialmente angustiante. Conheci mães que, nos primeiros dias que tentaram não obrigar seus filhos, tiveram que sair pra chorar em outro cômodo. Você pensa, honestamente, que sua filha não comeria se você não a obrigasse. Você pensa que ela teria uma anemia, ou até que "morreria de fome". Para adoecer gravemente, sua filha primeiro tem que perder peso. Muito peso. Lembre-se de como ela perdeu peso quando nasceu; muitas crianças perdem 250g em dois dias e voltam a recuperá-las em menos de uma semana, sem nenhum problema. Se sua filha não come, perderá peso. Tem que perder muito para que realmente exista um perigo. Essas criancinhas desnutridas da África que vemos nas fotografias perderam (ou nunca ganharam) cinco ou sete quilos.


Portanto, existe um meio muito simples com o qual você pode controlar o estado de saúde da sua filha e se assegurar de que ela não corre nenhum perigo: uma simples balança. Enquanto sua filha não tiver perdido um quilo de peso, não haverá nenhum problema. Digo um quilo (talvez um pouco menos em bebês pequenos, digamos uns dez por cento de seu peso), porque oscilações de peso menores são totalmente normais, e você acabaria louca se desse atenção a elas. Se você pesar sua filha antes e depois de ela tomar um copo d'água, ela terá ganhado duzentos e cinquenta gramas. E se você a pesar antes e depois de ela ter feito xixi e cocô, terá perdido quase meio quilo. Menos de um quilo não tem importância, e está ainda muito longe do que poderia ser perigoso. 


Mesmo se os argumentos expostos neste livro não tiverem convencido você, mesmo se você continua convencida de que sua filha "se não for obrigada, não come", peço que teste o método, como um experimento. Você não tem nada a perder. Faz meses ou anos que você está nisso, você tentou de tudo. Se você tiver razão, se sua filha não comer nada quando não for obrigada a comer, perderá um quilo, e o perderá muito rápido (um recém nascido pode perder 250g em dois dias apesar de mamar no peito ou na mamadeira, o que quer dizer que sua filha pode perder um quilo em menos de uma semana, se realmente não come nada). Se você tiver razão, o experimento só terá durado uma semana ou menos. Volte a obrigar sua filha como antes e ela rapidamente recuperará o bendito quilo. E você terá o direito de contar a todas as suas vizinhas que o livro do Dr. González é uma besteira. 


Mas se quem tem razão sou eu, se ao deixar de obrigar sua filha a comer, ela não perder um quilo, isso quer dizer que ela comeu a mesma quantidade com você obrigando-a que sem ser obrigada. Quantas horas você gasta para dar o café da manhã, o almoço, o lanche e o jantar da sua filha? Muitas mães gastam mais que quatro horas por dia, quatro horas de choros, gritos e vômitos. Agora, sua filha poderá levar cerca de uma hora por dia para fazer as quatro refeições, e parte desse tempo você nem sequer terá que estar presente. Pense nas coisas que pode fazer com o tempo que sobra: ler livros, escrevê-los, estudar piano... ou, simplesmente, fazer coisas mais agradáveis com a sua filha. Dedicar essas horas para contar histórias a ela, desenhar, construir coisas, brincar, ajudá-la com a lição de casa... Se o experimento funcionar, sua vida, a da sua filha e a de toda a sua família vão mudar. 


Em resumo, o experimento é o seguinte:
1 - Pese sua filha em uma balança.
2 - Não a obrigue a comer.
3 - Volte a pesá-la após algum tempo.
4 - Se ela não perdeu um quilo, continue sem obrigá-la a comer e volte ao passo 2.
5 - Se ela perdeu um quilo, o experimento acabou. Faça o que você quiser.



(Excertos do livro "Mi niño no me come", de Carlos González - tradução de Lia)


Enfim, mais uma vez a natureza nos mostra que é Senhora em seu papel.
Depois de ler isso, rediGi essa reflexão e compartilho com quem se encontrar na nossa experiência em constante aperfeiçoamento e transformAÇÃO.

ComunicAÇÃO:
Recado pra babá pregado na geladeira pra não nos deixar esquecer.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pilates

"O pai de Pilates era um ginasta premiado de descendência grega. A mãe era uma naturopata que acreditava em estimular o corpo para a auto-cura sem medicamentos ou cirurgias. As filosofias de cura da mãe e as realizações do pai foram as grandes influências nas ideias de Pilates para os exercícios terapêuticos."



Dandara - jan/2014 no Pilates com a Vovó


Fico aqui contemplando a beleza em poder usufruir e compartilhar com ela eventos, ambientes e diversas atividades de nosso corpo vivo em ação: Capoeira, "Gioga", Pilates, Danças, Brincadeiras, "Artes Marcianas" e tudo que nossa imaginAÇÃO ilimitada e atração positiva nos permite.

Vê-la interagindo e absorvendo o exemplo vivo/ativo anti-sedentário - o contrário do que a TV CAPETAlista impõe, me dá um alívio de confiança no plantio e esperança dela crescer cada vez mais saudável e ativa!
Oh grande benção linda em estar viva!

Agosto/2014 Dia incrível com Dandara no Pilates: 1 ano e 5 meses de pura interAÇÃO e sintonia.
Ao entrar em contato breve com a história de vida de Joseph Pilates, refleti sobre a importância do apoio e exemplos dos pais, da família, dos estímulos, do meio tanto como referência positiva, nas situações repressoras e na superação das adversidades. Hoje me sinto feliz por me sentir um exemplo vivo que impulsiona a criAÇÃO.
de dentro pra fora - de fora pra dentro

Achei tão lindo este vídeo - Uma História Animada de Pilates:


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

"Paciência: o intervalo entre a semente e a flor"

no trabalho com meu mais puro AMOR

A maior flor do mundo 
José Saramago

"As histórias para 
crianças devem ser 
escritas com palavras 
muito simples…
Quem me dera saber 
escrever essas histórias…

Se eu tivesse aquelas 
qualidades, poderia 
contar, com 
pormenores, uma linda 
história que um dia 
inventei…
…seria a mais linda 
de todas as que se 
escreveram desde o 
tempo dos contos de 
fadas e princesas 
encantadas…

… havia uma aldeia.
…e um menino.

… sai o menino 
pelos fundos do 
quintal, e, de árvore 
em árvore, como um 
pintassilgo, desce o rio 
e depois por ele 
abaixo…

Em certa altura, 
chegou ao limite 
das terras até onde 
se aventurara 
sozinho. Dali para 
diante começava o 
“planeta Marte”. 
Dali para diante, 
para o nosso 
menino, será só 
uma pergunta: 
«Vou ou não vou?» 
E foi.

O rio fazia um desvio grande, 
afastava-se, e de rio ele 
estava já um pouco farto, 
tanto que o via desde que 
nascera. Resolveu cortar a 
direito pelos campos, entre 
extensos olivais, ladeando 
misteriosas sebes cobertas 
de campainhas brancas, e 
outras vezes metendo pelos 
bosques de altas árvores 
onde havia clareiras macias 
sem rasto de gente ou bicho, 
e ao redor um silêncio que 
zumbia, e também um calor 
vegetal, um cheiro de caule 
fresco.

Ó que feliz ia o menino! Andou, andou, foram 
rareando as árvores, e agora havia uma charneca rasa, 
de mato ralo e seco, e no meio dela uma inclinada 
colina redonda como uma tigela voltada.
Deu-se o menino ao trabalho de subir a encosta, e 
quando chegou lá acima, que viu ele? Nem a sorte nem 
a morte, nem as tábuas do destino… Era só uma flor.

Mas tão caída, tão 
murcha, que o menino 
se achegou, de 
cansado. E como este 
menino era especial de 
história, achou que 
tinha de salvar a flor. 
Mas que é da água? 
Ali, no alto, nem pinga. 
Cá por baixo, só no rio, 
e esse que longe 
estava!...
Não importa.

Desce o menino a montanha, atravessa o mundo 
todo, chega ao grande rio, com as mãos recolhe quanta 
de água lá cabia, volta o mundo atravessar, pelo monte 
se arrasta, três gotas que lá chegaram, bebeu-as a flor 
com sede. Vinte vezes cá e lá…
Mas a flor aprumada já dava cheiro no ar, e como se 
fosse uma grande árvore deitava sombra no chão.

O menino 
adormeceu debaixo da 
flor. Passaram as 
horas, e os pais, como 
é costume nestes 
casos, começaram a 
afligir-se muito. Saiu 
toda a família e mais 
vizinhos à busca do 
menino perdido. E não 
o acharam.

Correram tudo, já em 
lágrimas tantas, e era 
quase sol-pôr quando 
levantaram os olhos e 
viram ao longe uma flor 
enorme que ninguém se 
lembrava que estivesse 
ali.
Foram todos de 
carreira, subiram a colina 
e deram com o menino 
adormecido. Sobre ele, 
resguardando-o do 
fresco da tarde, estava 
uma grande pétala 
perfumada…

Este menino foi levado para casa, rodeado de todo o 
respeito, como obra de milagre.

Quando depois 
passava pelas 
ruas, as pessoas 
diziam que ele 
saíra da aldeia 
para ir fazer uma 
coisa que era 
muito maior do 
que o seu 
tamanho e do 
que todos os 
tamanhos.

FIM

Este era o conto que eu 
queria contar. Tenho muita 
pena de não saber escrever 
histórias para crianças. Mas 
ao menos ficaram sabendo 
como a história seria, e 
poderão contá-la doutra 
maneira, com palavras mais 
simples do que as minhas, e 
talvez mais tarde venham a 
saber escrever histórias para 
crianças…

Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta 
história, escrita por ti que me lês, mas muito mais 
bonita?..."