segunda-feira, 15 de abril de 2013

SLINGAMOR

Num tempo em que até dar a luz naturalmente é uma coisa estranha e as interferências artificiais desnecessárias é que são normais, todo resgaste de formas sabiamente quentes de investir no vínculo afetivo entre humanos é muito valiosa para combater a frieza que impõem os senhores da guerra.

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"O sling é tão antigo quanto o homo sapiens. Para entendermos melhor vamos usar o exemplo dos primatas. Há milhões de anos esses animais já usavam seus pelos para carregar seus filhotes de um lado para o outro. Anos mais tarde começou o uso de peles e tecidos para nos vestir e carregar nossos bebês.
A maioria dos povos usou e ainda usa o sling. Em nosso mundo moderno é que se perderam vários costumes ancestrais de maternidade. Já não parimos pela vagina e numa posição vertical, já não carregamos nossos bebês como antigamente, já não amamentamos nossos bebês até quando eles próprios decidam parar, já não dormimos juntos com nossos bebês. Ainda bem que hoje tem um número considerável de mães e pais querendo resgatar essas formas de criar os filhos, adaptando à nossa realidade moderna.

Na maioria das culturas sempre se usou e ainda se usa. Esse hábito foi quebrado por um período muito curto na história ocidental. No fim do século 19 a rainha Vitoria popularizou o uso do carrinho entre as famílias ricas na Europa. Era comum e chique deixar os filhos com uma babá, que passeava com os bebês no carrinho pelos parques. Os pais não dormiam mais juntos com os bebês e achavam que não deveriam dar muita atenção a eles para não mimar. O sling foi visto como coisa de pobre. Foi aí, na primeira metade do século 20, que foi destruído o conhecimento milenar de maternar, amamentar, cuidar do bebê, parir naturalmente, dormir juntos, carregar no sling, etc. Tudo isso pelas novas crenças de não mimar o bebê.
Hoje a ciência já provou o contrário, que não existe bebê mimado e que eles precisam do contato físico para crescer saudável e se desenvolver. Eles só pedem o que é direito básico deles. O carrinho ainda é visto como um símbolo de status. Saber que as pessoas deixaram de usar o sling para utilizar o carrinho é muito frustrante. Muitas pessoas e culturas tradicionais deixaram de usar o sling porque parece "coisa de índio". Na Europa e nos Estados Unidos as pessoas usam o sling em vez do carrinho porque sabem das vantagens para seu bebê. A destruição deste conhecimento ancestral de maternar foi devastador para nossa sociedade. Há três décadas que começamos a resgatar o que foi perdido, o processo é lento, mas ganha adeptos no mundo inteiro."

Até Ogros de um Reino tão tão distante conhecem os benefícios que traz o uso do sling para carregar seus filhotes com amor e afeto.


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